Casa do Cantador ensina sobre a literatura de cordel, com biografias e poesia – SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA

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Iniciativa “Cordel em Casa” traz postagens semanais no perfil do Instagram

 

O Instagram da Casa do Cantador está imperdível. A equipe do espaço ligado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) do Distrito Federal está produzindo a série “Cordel em Casa”, que oferece ao público de quarentena postagens semanais com cordelistas tradicionais e contemporâneos. A seleção também conta com sugestões do público que está acompanhando a iniciativa e é convidado a participar. As publicações são sempre compostas de uma minibiografia e uma amostra do trabalho do autor contemplado, sob o título “Cordel em pílulas”.

 

“A ideia nasceu de um trocadilho. Cordel em casa remete tanto à necessidade de reforçar que as pessoas fiquem em casa, por causa da pandemia, como à divulgação da cordelteca da Casa do Cantador”, explica a gerente de acervo da Subsecretaria de Patrimônio Cultural (Supac) e bibliotecária Aline Ferrari. A cordelteca dispõe de 1500 títulos catalogados, 600 deles já disponíveis para consulta on-line.

 

A iniciativa ganhou a colaboração de cordelistas de Brasília e de pessoas interessadas nessa forma de arte – a literatura de cordel, gênero popular escrito em forma de rimas e frequentemente baseado em relatos orais de acontecimentos comuns no Nordeste, do qual Ceilândia, onde fica a Casa do Cantador, é representante. É na cidade que se concentraram migrantes e descendentes dos nove estados brasileiros que formam a região, cujos pioneiros ajudaram a construir a capital. Ilustrações são produzidas por artistas ligados à arte, como o artista plástico Valdério Costa, por exemplo.

 

Além de ensinar sobre cordelistas tradicionais – como o pernambucano Donzílio Luiz e o cearense Patativa do Assaré, que já foram alvo de postagens –, o público que segue o Instagram vai aprender também que o cordel foi fonte importante de inspiração para músicos importantes, como o saudoso Moraes Moreira.

 

O integrante dos “Novos Baianos”, que faleceu em 13 de abril deste ano, teve como último trabalho publicado um cordel sobre a pandemia no perfil do Instagram entitulado “Quarentena”: “Eu temo o coronavirus/E zelo por minha vida/Mas tenho medo de tiros/Também de bala perdida,/A nossa fé é vacina/O professor que me ensina/Será minha própria lida”.

 

O cordelista de Brasília da nova geração Sabiá Canuto interrompeu uma faxina durante o isolamento para comentar a importância do baiano de Ituaçu conhecido por sucessos como “Preta, pretinha”. Canuto, formado em Letras, Língua Portuguesa, pela Universidade de Brasília, é o autor da minibiografia do novo baiano, uma das próximas a subir, junto com pílulas de cordel, no perfil social da Casa do Cantador.

 

“Moraes Moreira pode ser definido como um pós-tropicalista que bebeu no cordel tradicional”, ensina Canuto, que dá como referência para quem quiser pesquisar mais sobre o assunto o livro de Moreira “A história dos Novos Baianos e outros versos” (2007). Canuto conta que o genial baiano foi aluno de violão do conterrâneo Tom Zé, outro expoente da contracultura que desafiou a ordem burguesa e a ditadura militar ao lado de Caetano e Gil.

 

Biografias de cordelistas e aperitivos de seus trabalhos são obra coletiva no Instagram da Casa do Cantador. A analista de atividades culturais da Secec e pedagoga lotada no Complexo Cultural de Planaltina Rayane Cristina Chagas Silva escreveu o verbete sobre Seu Donzílio, que levava sua arte para feiras e bares da Vila Amaury, hoje submersa no Lago Paranoá, e ao Núcleo Bandeirante.

 

O também jovem cordelista Davi Mello, do DF, contribuiu com a biografia de Patativa do Assaré. “Patativa é um dos maiores nomes da poesia popular brasileira. Ele soube retratar o sertão e a natureza de uma forma muito poética, que encanta e informa as pessoas sobre as realidades do povo nordestino”, enaltece.

 

Aline Ferrari, natural do Paraná, é um caso de “estrangeira” que se apaixonou pela arte do Nordeste. Conduziu bem-sucedidas campanhas de doação para revitalizar a cordelteca do Cantador, cujo nome, “João Melchiades Ferreira”, homenageia o autor paraibano da obra “O Romance do Pavão Misterioso”, celebrizado na canção do cearense Ednardo, prova de que o Nordeste é movido pelo realismo fantástico e sua lógica circular de estonteante poesia.

 

Serviço “Cordel em Casa” https://www.instagram.com/casadocantadoroficial/

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